
O Inventário Morada Ancestral é concebido como uma plataforma digital de registro, organização e difusão de práticas culturais vinculadas às casas de candomblé, com foco nas tradições da cultura Ketu em Minas Gerais.
A metodologia do inventário está alinhada aos princípios estabelecidos pelo Decreto nº 3.551/2000, que institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial no Brasil. Nesse sentido, o inventário não se propõe a esgotar ou capturar a totalidade das práticas rituais, mas a registrar fragmentos sensíveis e representativos que contribuam para a preservação da memória cultural e para o reconhecimento público dessas tradições.
O registro é realizado a partir de:
- documentação fotográfica;
- registros audiovisuais de curta duração;
- textos curatoriais e descritivos;
- organização temática do acervo.
Os conteúdos apresentados respeitam os limites éticos do campo, preservando rituais, saberes e práticas que não devem ser publicamente expostos, e priorizando uma abordagem educativa, sensível e acessível ao público em geral.
Neste primeiro ciclo, o inventário se estrutura a partir do ritual do Banho de Abô, compreendido como um fio condutor simbólico que permite refletir sobre os processos de purificação, pertencimento, ancestralidade e continuidade presentes no cotidiano do terreiro inventariado.
O Morada Ancestral entende o inventário como um processo contínuo, aberto e em permanente construção, fortalecendo o protagonismo das comunidades afro-brasileiras e contribuindo para a salvaguarda de seus patrimônios culturais imateriais.