
Morada Ancestral é um projeto cultural dedicado à criação de um inventário digital das casas de candomblé, compreendendo essas moradas como territórios vivos de memória, espiritualidade, resistência e produção de conhecimento ancestral.
O projeto parte do entendimento de que as casas de santo desempenham um papel fundamental na preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro, especialmente no que diz respeito às tradições da cultura Ketu, às práticas rituais, aos saberes transmitidos oralmente e às relações comunitárias que se mantêm vivas ao longo do tempo.
Nesta primeira edição, intitulada “Nos Caminhos do Banho de Abô”, o Morada Ancestral toma como ponto de partida o Ilê Deaquá Nanã Buruquê e Oxalá, fundado por Mãe Inaré, em Belo Horizonte (MG). O banho de Abô, ritual de purificação e conexão com as águas ancestrais, é adotado como eixo simbólico e poético que conduz o percurso do inventário, conectando passado e presente, corpo e território, memória e continuidade.
O Morada Ancestral nasce como uma plataforma permanente, pensada para ser continuamente alimentada com novos ciclos de inventário. A cada edição, um novo terreiro poderá ser documentado, respeitando seus limites éticos, seus tempos próprios e suas formas de transmissão de conhecimento, contribuindo para o reconhecimento e a valorização das tradições afro-brasileiras como patrimônio cultural imaterial.